quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Dificuldade - e o susto

Estou já a alguns dias na dieta líquida. O cirurgião pediu para eu fazer 10 dias antes- mas resolvi começar mais cedo com receio de não conseguir emagrecer nada.
Em 1 semana de dieta perdi 7 dias. O ponteiro da balança desceu 2kg- mas eu estava de tpm... Diz aí se não é de dar ódio?

Pedi para minha mãe tirar umas fotos para eu fazer comparativo, já que a balança pega peças. E, meu deus, que susto tomei quando me vi!
Eu nunca tiro fotos de corpo todo, e quando tiro de rosto sempre tem o "jeito certo": a câmera mais alta e inclinada para sumir o papo e ficar "magra".
Não me reconheci!

Acho que me enganei tempo demais. Não tinha uma foto "de verdade"!

Estou passada com todo o meu tamanho... Encarar a realidade assusta, né?

Medo

Quando comecei o processo todo haviam me dito que duraria entre 12 e 18 meses, e no final das contas foi muito mais rápido. O dia está chegando, o tempo voando, e eu estou com medo. Quarta-feira que vem é o dia no qual me opero.

Estou fazendo a dieta líquida mas parece que o ponteiro teima em não sair do lugar. Hoje fiz mais líquida que todos os dias anteriores e estou determinada a fazer isso até a semana que vem. O peso vai baixar, nem que seja na marra- não quero ter de fazer a cirurgia aberta.
Estou com medo. Medo da cirurgia, do depois da cirurgia, do desconhecido, de tudo. São muitos medos.

Hoje uma amiga operou. Disse que sentiu tanta dor que deram morfina para ela. Será que vão me dar morfina? Vão aliviar minha dor? Não queria sofrer tanto... Chorei só de pensar.

Peguei um resfriado (coisa rara), e já estou quase curada. Mas aqui dentro... Me sinto fragilizada emocionalmente, e queria passar os próximos dias dormindo no colo da minha mãe, ou do meu namorado. Mas tenho as minhas obrigações, e eles as deles.

Me sinto irritada, chorona, prestes a discutir ou chorar por qualquer coisa. Tenho tentado manter a calma, o foco, e o respeito pelos outros- mas está difícil.

Sâo 6 dias e 7 noites até lá. E eu vou agüentar.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Mutilando um órgão

Admitir que precisa de ajuda não é fácil.

Você analisa seu histórico, percebe que algo está sendo feito errado, ou foi feito errado. Vê que conseguiu grandes vitórias e proporcionalmente grandes fracassos. Então começa a achar que mesmo se conseguir uma grande vitória dessa vez, a chance de tornar a perder é muito grande...

Admitir para si mesmo que, assim como parte das pessoas, você não tem absoluto controle sobre suas emoções -e sua comida- é frustrante. E, depois disso, ter coragem de contar para os outros que você realmente precisa de uma medida drástica, é mais ainda. Senti um pouco de vergonha. Senti como se fosse uma dependente química, ou alcólatra, pedindo para ser internada, ou algo assim.

Falar: "Vou me submeter à uma redução de estômago" quer dizer nas entrelinhas que você desistiu de tentar por outros métodos (que pra você não funcionaram), que você precisa de uma barreira física para parar de comer, e que por isso você vai mutilar um órgão do seu corpo, correr risco de vida e se sujeitar a uma série de complicações ou de possíveis efeitos colaterais. É assim que eu entendi: eu preciso mutilar uma parte do meu corpo para "renascer" como uma pessoa saudável, para aprender a comer direito, a ter calma, e controle. Não, não são motivos estéticos.

Estou com quase 30 anos, com joelho e articulações estalando. Me movimentar começa a ficar difícil, caminhar é cansativo. E recentementetorci o pé estourei ligações dos tornozelos. O que mais vou esperar? Chegar aos 200kg para fazer a gastroplastia? Porque, honestamente, cada vez que emagreço torno a engordar tudo- e mais um pouco.

Assumi para mim que preciso de ajuda e para alguns poucos também. Senti vergonha, sim, e escutei algumas vezes "Tem certeza? Porquê não tenta exercício e dieta?".

Já estou me preparando e seguindo as recomendações. Ansiosa, e com medo, mas a decisão está tomada e a data marcada: será dia 16.





sábado, 5 de janeiro de 2013

Você precisa de ajuda

Acho que a primeira vez em que emagreci muito foi aos 13 ou 14 anos. Meu pai pagou um tratamento a base de injeções de enzima, cremes, e eu tomava também uma fórmula manipulada. Emagreci uns 25 kg. E tornei a engordar...

Aos 18 anos, emagreci novamente. Desta vez foram 30 kg. Sem remédios. Com muito exercício físico. E sem comida. Passava mal, sensação de desmaio freqüente... Hoje sei que além de toda a gordura perdi junto massa magra- o que fez meu metabolismo ficar mais lento, etc etc etc... Mas, tornei a engordar.

Aos 25, de novo, emagreci. Desta vez, 25 kg. E, adivinha só? Engordei de novo.
E estas não foram as únicas vezes não: foram só as mais significativas.

Engordar ou emagrecer 5, 7, 10 kg é bem comum na vida e/ou rotina de quem está acima do peso desde sempre. Sim, desde sempre eu luto contra o excesso de peso. Lembro-me de quando era pequena que minha mãe me obrigava a trocar Nescau por Cacau em Pó com adoçante, ou comer bife grelhado com tomate... E nem quando virei vegetariana (e depois vegan) consegui perder peso. Irônico, né?

Fiz dieta da Lua, do abacaxi, da sopa, da proteína, da Usp e várias outras. Passei meses a base de grelhado e salada. Participei do programa Meta Real com reeducação alimentar. Tomei diversas fórmulas manipuladas (sibutramina, fluoxetina, bromazepan, fora os "sene" da vida), tomei homeopatia e também florais (de Bach e da Amazõnia). Fiz simpatia e tomei a água do alho, do copo de arroz... E perdi peso em todas as empreitadas. E, de novo, adivinha só?
Tornei a engordar.

E o que se conclui?
Exatamente o que o endocrinologista da clínica que procurei quando pensei na gastroplastia me disse quando contei o histórico de engorda-emagrece:

"Falência nas múltiplas tentativas de emagrecimento. Você precisa de ajuda"